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Varizes

Varizes, Vasinhos, Veias normais, Safena: entenda a doença completa

Dra. Dafne Leiderman|28 de Julho, 2026|
9 min de leitura
Varizes, Vasinhos, Veias normais, Safena: entenda a doença completa

Muitas pessoas acreditam que vasinhos e varizes são problemas puramente estéticos ou situações isoladas. No entanto, a ciência vascular demonstra que vasinhos, veias reticulares, varizes de grande calibre e o comprometimento das veias safenas são manifestações de uma única condição clínica progressiva: a Doença Venosa Crônica (DVC).

Para cuidar da saúde das suas pernas de forma eficaz, é fundamental entender o funcionamento da circulação, aprender a identificar as diferenças entre cada tipo de veia, conhecer a classificação médica oficial e estar atento aos sinais de alerta.

Diferenças Básicas no Sistema Venoso

  • Veias Normais: Possuem válvulas funcionais que impulsionam o sangue para o coração contra a gravidade.
  • Veias Safenas: Veias tronculares principais da circulação superficial (Safena Magna e Parva). Quando doentes, perdem a função valvular e geram refluxo.
  • Veias Reticulares: Veias nutridoras azuladas/verdes com diâmetro de 2 a 3mm, situadas logo abaixo da pele.
  • Vasinhos (Telangiectasias): Microvasos vermelhos ou arroxeadas com diâmetro inferior a 1mm na camada superficial da pele.
  • Varizes: Veias dilatadas, tortuosas, salientes e doentes com diâmetro igual ou superior a 3mm.

1. Como funciona a circulação e o surgimento da doença

As veias das pernas têm a desafiadora missão de bombear o sangue de volta ao coração, lutando continuamente contra a força da gravidade. Para que o sangue suba sem retornar, o organismo conta com pequenas "portinhas de sentido único" chamadas válvulas venosas, além da contração dos músculos da panturrilha (conhecida como o "coração periférico").

Quando essas válvulas se enfraquecem ou se danificam, o sangue passa a estagnar e a fluir no sentido oposto ao fisiológico. Esse fenômeno é chamado de refluxo venoso. Com a estagnação sanguínea, a pressão dentro dos vasos aumenta (hipertensão venosa), fazendo com que as veias se dilatem, se deformem e se tornem varicosas.

Estágios e anatomia das varizes nas pernas
A Insuficiência Venosa Crônica afeta o fluxo de retorno sanguíneo ao longo das pernas.

2. A Classificação CEAP: Os Estágios da Doença Venosa (C0 a C6)

Para padronizar o diagnóstico e o tratamento no mundo inteiro, a comunidade científica internacional utiliza a Classificação CEAP. A letra "C" (Clínica) divide a doença em 7 estágios evolutivos de gravidade crescente:

Estágio C0

Sem sinais visíveis ou palpáveis de doença venosa. A paciente pode apresentar sintomas como peso ou dor nas pernas, mas os vasos ainda não são aparentes.

Estágio C1

Telangiectasias (vasinhos) ou veias reticulares. Presença de pequenas ramificações avermelhadas/arroxeadas ou veias nutridoras finas.

Estágio C2

Veias varicosas (Varizes propriamente ditas). Veias dilatadas, tortuosas e salientes sob a pele (maiores que 3mm de diâmetro).

Estágio C3

Edema (Inchaço). Acúmulo de líquido nas pernas e tornozelos, especialmente ao final do dia, causado pelo extravasamento de plasma.

Estágio C4 (Avançado)

Alterações de pele e tecido subcutâneo. Dividido em:
C4a: Pigmentação castanha da pele (dermatite ocre) e eczema venoso.
C4b: Enrijecimento e endurecimento da pele (lipodermatoesclerose) ou manchas brancas atróficas (atrofia branca).

Estágio C5 e C6 (Grave)

C5: Alterações de pele com úlcera venosa cicatrizada.
C6: Úlcera venosa aberta e ativa. Ferida crônica de difícil cicatrização próximo aos tornozelos com sangramento ou secreção.

3. Sintomas Frequentes da Doença Venosa Crônica

Os sintomas da insuficiência venosa costumam piorar ao longo do dia, em dias quentes ou após longos períodos em pé ou sentado. Fique atenta aos sinais:

  • Sensação de peso e cansaço intenso nas pernas ao final da tarde.
  • Dor em queimação, pontadas ou sensação de agulhadas nas coxas e panturrilhas.
  • Inchaço (edema) visível nos tornozelos e pés, deixando a marca do elástico da meia.
  • Cãibras noturnas frequentes e involuntárias.
  • Sensação de inquietação ou pernas inquietas ao deitar.
  • Coceira (prurido) ou ardor na região onde as veias estão dilatadas ou manchadas.
Avaliação vascular com Ultrassom Doppler
O exame de Eco Doppler identifica se há refluxo nas veias profundas, superficiais e safenas.

4. Fatores de Risco: Quem tem maior tendência a desenvolver varizes?

O aparecimento de varizes decorre de uma combinação de fatores genéticos e comportamentais:

  • Hereditariedade (Genética): É o fator de risco isolado mais importante. Se seus pais ou avós tinham varizes, sua chance de desenvolvê-las ultrapassa 70-80%.
  • Sexo Feminino e Hormônios: O estrogênio e a progesterona relaxam as paredes venosas. Fases como gravidez, uso de anticoncepcionais orais e terapia de reposição hormonal aumentam o risco.
  • Gestação: Além do fator hormonal, o peso do útero comprime as veias da bacia, dificultando o retorno do sangue das pernas.
  • Postura Profissional Prolongada: Trabalhar muitas horas seguidas em pé ou sentado limita a ação da bomba muscular da panturrilha.
  • Sedentarismo e Obesidade: A falta de fortalecimento muscular nas pernas e o excesso de peso corporal aumentam significativamente a pressão venosa.
  • Idade Avançada: O envelhecimento natural provoca desgaste das válvulas e perda de elasticidade dos vasos.

5. Por que Varizes NÃO são Apenas Estética? Complicações Graves

Muitos pacientes adiam a consulta com o cirurgião vascular por acreditarem que os vasinhos ou varizes representam apenas um detalhe estético. No entanto, por ser uma doença crônica e evolutiva, a falta de tratamento pode levar a complicações sérias:

1. Varicorragia (Sangramento Abundante)

É o rompimento espontâneo de uma veia varicosa saliente, muito delgada e sobrecarregada por alta pressão. Pode ocorrer no banho ou por um pequeno esbarrão, provocando um sangramento volumoso e assustador que exige compressão e atendimento imediato.

2. Tromboflebite Superficial (Flebite)

Formação de um coágulo de sangue no interior de uma veia varicosa superficial. A veia torna-se um cordão duro, vermelho, quente e extremamente doloroso ao toque, necessitando de tratamento médico para impedir a progressão do coágulo.

3. Trombose Venosa Profunda (TVP)

O sangue estagnado em varizes calibrosas aumenta o risco de formação de coágulos nas veias profundas da perna. A TVP é uma emergência médica grave pelo risco do coágulo se desprender e migrar para os pulmões (Embolia Pulmonar).

4. Úlcera Venosa (Feridas Crônicas de Estase)

No estágio C6 da doença, a pele gravemente desnutrida e manchada rompe-se perto do tornozelo, formando feridas abertas, dolorosas e de dificílima cicatrização que impactam imensamente a qualidade de vida.

Conclusão: Tratamento precoce é o melhor caminho

Tratar a Doença Venosa Crônica em seus estágios iniciais (C1 ou C2) previne o surgimento de manchas definitivas, inchaço crônico e complicações graves como a trombose e as úlceras. Hoje, com tecnologias minimamente invasivas como o Laser Transdérmico e o Endolaser (1470nm), é possível resolver vasos doentes e safenas em consultório com total segurança, sem dor e sem afastar você das suas atividades diárias.

Se você identificou sintomas ou vasos em suas pernas, agende uma consulta de avaliação detalhada com a Dra. Dafne Leiderman.

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Agende uma avaliação com a Dra. Dafne e tenha um plano de tratamento personalizado.

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